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6 août 2011 6 06 /08 /août /2011 10:34

Durante os meus cursos do português, nós fizemos o papel de vendedor de caixão. O assunto divertiu-me. Um dos argumentos da vendedora era que o caixão era vermelho.

 

Sendo um seguidor, ocasional, do grande humorista francês Claude Serre, permiti-me, um dia depois, fazer humor negro com as palavras das lições. Era sobre brincos e piercings… . Em resumo, dentro do éforço para avançar na aprendizagem da língua, eu deixo-me ir ao prazer de um humor negro, um humor sem alma, um humor de sombra preocupado com o corpo.

 

Os portugueses dizem « humor negro » e os franceses « humour noir ». « Niger » significa, muito simplesmente, preto em latino. Então, perguntei-me o que humor queria dizer em latino. « Humour » vem de « humor » que quer dizer húmido. A humidade da terra é necessária de modo que o trigo não seque. Em latim diz-se : « Aliud cecidit super petram, et natum aruit, quia non habebat humorem. »[1]. Sem a humidade o trigo morre. O evangelho do semeador diz que uns trigos caiem sobre a pedra, crescem, e secam por falta de humidade. O trigo que cai em cima da pedra faz uma imagem mental. Não é só a metáfora das almas duras, ela é igualmente a metáfora dos almas sem humor, sem emoções.

 

A palavra « humour » provém do inglês humor, ele mesmo vem do francês « humeur », e do latim humor (liquido). Ná origem, a palavra humor teve um sentido unicamente médico. Ná Idade Média, havia uma teoria dita « sobre os humores ». Ela considera que, no homem, havia quatro humores ou fluidos principais, A bílis preta, a bílis amarela, a fleuma e o sangue, que são produzidos por diferentes όrgãos do corpo. O equilíbrio dos humores permitia permanecer em boa saúde. Por exemplo, demasiado fleuma no corpo provocava perturbações pulmonares e o organismo tentava tossir e cuspir para restabelecer o equilíbrio. A harmonia dos humores era reencontrada através de um regime alimentar, dos medicamentos e da sangria.

 

A linguagem corrente conduz a utilizar a palavra humor para evocar emoções. Cada um pensava ainda, no século XIXe, que as perturbações do comportamento ou os temperamentos provinham de certos líquidos que corriam nas veias. Este engano explica a derivação e a mistura que se operam sobre o termo « humor ». A conceção grega da catarse como modo de tratamento terá consequência sobre certas éticas. Este arcaismo médico encontra ecos, a propósito da sexualidade e da dissolução, em Montaigne inspirado por Cícero. Todos vão estar de acordo com a ideia que não é possivel haver sexualidade com todos os typos de corpos[2]. O épicurismo tem os seus limites, que denuncia Sigmund Freud, quando a infância não é respectada. A psicanálise aparece numa Europa angustiada onde reaparecem os movimentos messiânicos libertinos como o sabataísmo[3].

 

Sigmund Freud dá uma má definição da estética por ser completamente independente e libertada de qualquer orientação utilitária das coisas. Felizmente, ele excede esta concepção para ver as tendências do espírito e de qual maneira o espírito serve as coisas[4].

 

O humor negro, como o jogo de espírito, pode ser uma maneira de se defender. É agressivo porque não é privado de crueldade. O humor negro oferece imagens mentais onde cada um se pode reconhercer e bulir.

 

Sigmond Freud diz que o cómico tem a sua localização psíquico no préconsciente[5]. O préconsciente é a relação entre o inconsciente e o consciente. O humor de Claude Serre tem a capacidade de revelar o inconsciente. A profissão médica é geralmente adepta das obras de Claude Serre. Encontra-se nas familias de médicos o livro Humour noir et hommes en blanc[6]. O inconsciente do médico, as suas angústias na frente das suas responsabilidades revela-se nos seus desenhos. Os pacientes podem também apreciar. Este olhar sobre o hospital faz sair certas angústias do inconsciente. É normal ter medos, mas não é facil compartilhá-los. Humour noir et hommes en blanc permite uma consciência coletiva no humor mesmo se é negro. Claude Serre desenhou outros álbuns como L’automobile[7], por exemplo.

 

De acordo com Sigmund Freud, o prazer vem da elevação à idade adulta. « Esta elevação, diz, o adulto poderia bem tirá-lo da comparação de seu eu actual e seu eu infantil. Esta opinão encontra-se, até certo ponto, corroborada pelo papel atribuído ao infantil no processo neurótico do recalcamento. »[8]O infantil não faz necessariamente referência à infância real mas ao personagem psicológico da criança como metáfora na descrição analítica do espírito humano. Sigmund Freud faz talvez um erro quando está a falar de elevação para a idade, como vamos ver adiante. Não podemos dizer que há elevação, mas dialoga entre os papéis que a pessoa dá a ela mesma. Esta igualidade permite evitar a desvalorização do papel da criança numa pessoa.

 

A componente energética presente na ideia de transfêrencia poderia deixar acreditar que Sigmund Freud não se demarcava da antiga teoria dos seus desequilibrios. Mas tudo é diferente com Sigmund Freud, a transfêrencia efectua-se na matéria espiritual e a sua ação tanto quanto na ação do corpo. Simbolização permite escolher e controlar os seus atos. A palavra de espírito ou a imagem mental são atos que simbolizam as angústias e « poupam a energia necessitada pela inibição »[9]destas angustias. E aquilo é particularmente verdadeiro para o humor negro. O prazer do cómico vem da economia do investimento e o prazer do humor vem da economia do sentimento. Fala-se de humor negro porque sobre os assuntos como a morte ou a doença, permitem poupar não somente a energia necessária para a inibição mas a necessária para o sentimento. A riqueza da descoberta de S. Freud referir-se-á simbolização, à transfêrancia da energia afetiva para atos criativos. Uma alma vais ser criativa, pode consolar… se é sensivel, afetiva, atenta, se está pronta para se investir, se ela tem tudo o que faz o « humorem », o amor. A relação bem sucedida em humor não é sem amor. A pessoa é mais sensivel ao humor se é generosa. A ironia é sem amor, Impede a realização no pensamento e no mundo, a mistura alquímica dos sentimentos e da ação.

 

À ironia, falta o humor, a participação da vida. Ó humor pode ser o que range, se não for um meio de exclusão, então se ele for a prova de uma preocupação comum de avançar junto da humilidade e da simplicidade da vida terreste. Este é possivel a uma condição que a simplicidade e a humilidade não sejam uma renúncia mas um compromisso de uns com os outros na sociédade.

 

« Todos os homens não são capazes de resto de adoptar o atitude humorística ; Está lá um dom raro e precioso, e em muito falta até que a facultade para desfrutardo prazer humoristico que nós lhes oferecemos. E finalemente quando o superego tenta, pelo humor, consolar o eu e o proteger do sofrimento, Ele não nega a origem dele a diversão dela da instância parental. »[10]

 

A abordagem de S. Freud não parece distant da obra Arte Poética de Aristóteles, a concepção dele de arte como meio para respeitar o equilíbrio psíquico, o rire como catarses. Mas, poderia ser interessante distinguir várias coisas : que está sem distancia, tirar a vela do inconsciente e a distenciâ tomada com si próprio, o rire e a ironia, a sátira, a comédia e o drama. Estes duplos na arte o na imagens mantais são úteis a o conhecimento dele. Temos de fazer a diferença entre tirar a vela para o saber e revelar. Revelar significa dizer um segredo. Ora, à nossa época o conhecimento não é resevado para alguns. Jà é revelado. Porque não podemos saber quem são estes alguns. É um princípio democrático. A democracia não pode existir sem o conhecimento. Com reservas que sabemos os limites da nossa humanidade e que reconhecíamos o trabalho dos outros.

 

A distância tomada com si mesmo é um tema recurrente do pensamento oriental através da imagem da ave que deixa a pessoa para retornar iniciado a ele no Um.

 

No espelho do amor humano, é possível ver a sua alma. Não se pode esquecer os perigos do amor físico sem pureza, o amor não sagrado, e não virou a Deus. A pergunta é difícil e prefiro deixar a palavra com a poesia. A impureza separa de Deus. Deus poderia dexar a noiva dele se ela não fosse virgem. A noiva pode ser considerada como a alma no pensamento oriental.

 

« Se busco o meu coração, encontro-o no teu quintal,

Se busco a,minha alma, não a vejo a não ser nos cachos do teu cabelo.

Se bebo água, quando estou sedento

Vejo na água o reflexo de teu rosto.

 

Quero fugir a cem léguas da razão,

Quero de presença do bem e do mal me libertar,

Detrás do véu existe tanta beleza : lá está o meu ser ;

Quero enamorar-me de mim mesmo,

Ó vós que não sabeis !

 

Na jardim, há mil bonitas com os rostos lunares.

Há rosas, violetas que cheiram o almíscar,

E esta água que cai gota a gota no riacho,

Tudo é pretexto para meditação… Há só Ele… só Ele. »[11]

 

As passagens pelo mundo sensível, e o céu de Mercúrio, determinam a presença de Deus, a Origem. A humanidade não pode negar um céu para encontrar Deus, ou da sua presença para o mundo sensível, ou da caverna estrelada. Iblis é este que salta céus e cai mais baixo que o último céu.

 

« A condição destes povos muito antigos era ainda a de uma humanidade celestial, que quer dizer que, contemplados todos os objetos possíveis no mundo e à superfície da Terra viam-no certamente, mas pensavam, por eles, as coisas celestiais e divinas… » [12]O engano de Henry Corbin foi de pôr estes povos no passado quando são os contemplativos, os observadores, os namorados, todos os papel, as dobras de cada uma das nossas almas.

 

De acordo com Rumi o mundo sensível e a beleza são uns caminhos para Deus. Como vimos, Deus passa pelo relatório da vida. Mas Sohravardi[13]vai mais longe. Sohravardi escreve que os deficientes, os doentes, as mulheres e as crienças têm muita proximidade com Deus. Há uma importância no respeito pela pureza da infância, da virgindade, do respeito pelo corpo, em resumo pela diferença. O humor é possivel quando a pessoa preservou a sua infância tanto quanto a sua instância parental.

 

A abordagem religiosa não é em oposição com a abordagem cientifica quando Sigmund Freud escreve que sob a influênçia da educação se produzem os recalcamentos enérgicos, desde a infãncia, de certas tendências da sexualidade infantil[14]. Estes recalcamentos são necessários para assumir uma vida adulta de acordo com as vias normais[15]. Os papéis da família, da escola, da educação preparam o papel social.

 

De acordo com a abordagem psicanalítica, é necessário não expôr as crianças a certas imagens do humor negro que são as imagens recalcadas. Isso refere-se igualmente aos adultos na medida em que é feito violencia ao papel da criança. A criança é a metáfora da dobra do espírito para o qual a educação faz obstáculo a certas derivações comportamentais e permite assim ao espírito, libertado da preocupação de reprodução, de orientar-se para vias mais criativas. A criança é então o resultado de um papel moral. Saída do pensamento de S. Freud parece-me interessante inclinar-me sobre a análise transacional. Ela consiste no estudo e na luta contra a deficiência de certas relações no isolamento dos atores da empresa em papéis restritivos. Um destes enclausuramentos é a metáfora da infância que representa, na pessoa ou na relação, a que acantonar-se-áo papel das emoções espontâneas, ou da intuição e da expressão dos sentimentos. Uma demasiado grande generalização destes modelos representa um perigo de esquematização. Da mesma maneira que Kafka denunciava os papeís demasiado marcados do Pai, a nossa época tem necessidade de ver o despeito que ela tem pela infância e o relatório inábil da amoralidade que associa à infância. A análise transacional é muito útil mas é importante saber que não tem conta dos papéis do mendigo, do jogador, do investigador, do sonhador… porque o seu resultado é a dobra do adulto. A análise transacional acompanha, mas não diz claramente qual é a relação entre as componentes da personalidade e tudo o que faz a beleza do ser ao mundo. Quando Sigmund Freud fala de sexualidade infantil ou sexualidade em geral opõe as dobras físicas da sexualidade homem, mulher, criança aos papeís morais que a vida nos dá, mendigo, sonhador, racional, sedutor… . A distenção não é fácil ; Por exemplo, a viúva terá a assumir um papel moral de pai em mais do que de mãe. Isto não é contraditório na medida em que cada um leva nele um « animus » e um « anima », para retomar os termos de Karl Gustav Jung. As pessoas físicas podem tornar-se pessoas morais ou ter papéis morais. A pessoa moral da criança está presente em cada um como direito a uma ingenuidade.

 

A análise transacional serve a pessoa moral[16]da empresa. Na França, a declaração dos dereitos do Homem permite um justo equilíbrio entre a pessoa moral e o indivíduo.

 

Recordemos duas coisas do assunto do humor negro : a necessidade de compartilhar a angústia e a importância das barreiras do recalcamento. Estes dois elementos parecem contraditórios em redor do humor negro. Certas imagens do humor negro funcionam apenas como se fossem consumidas com grande moderação e se a pessoa souber ser preservada dos seus papéis de criança, de parente, de irmão, de irmã e se realmente existir um diálogo entre os diferentes papéis que o indivíduo assume. Para falar de maneira mais geral, certas angústias não se compartilham em todas condições e situações.

 

Esta conclusões poderão parecer de uma grande banalidade como a retoma dos papéis da escola, da família, a importância da arte, do humor. A psicanálise, como toda a Ciência, mesmo nas suas trincheiras mais complexas, nunca desiste-se do bom senso e junta-se às preocupações de parente atento a transmitir as regras da moral.

 

A moralidade não pode ser relativista. A moralidade é todos os princípios, as regras, os valores a que se dá uma sociedade. Estes elementos estabelecem a consciência coletiva e individual da sociedade. Entre a entidade legal da sociedade e a pessoa individual não são necessariamente os mesmos interesses mas não há nenhuma mudança de medida. E quando Deus deu dez ordens a Moisés, Ele passa pela pessoa natural de Moisés. Jesus dá no Novo Testamento, um aspeto de qual é a moral, por via da pessoa natural dele. Ele mostra o compromisso dele para o mundo. A moralidade é a medida não relativista de uma sociedade. A moralidade que está na balança humana, pode evoluir de acordo entre as consciências coletivas, as consciências morais, as consciências individuais. Não se pode confundir divergência de interesses e divergência de medida onde entra em jogo a relatividade.

 

As regras morais não são as mesmas em cada sociedade. Mas há uma parte, não relativista, universal da moralidade onde todos unem os interesses das pessoas particulares e das pessoas morais. A comunidade internacional poderia reconhecer mais claramente os direitos das pessoas morais, da criança, da mulher, e também do homem. A pessoa natural que representa a entidade legal da criança não seria necessariamente uma criança sabendo que cada um tem uma parte de infância que precisa de ser protegido.

 



[1] Padre Antonio Vieira, Sermões, Porto : Lello & irmão-Editores, 1959, volume I, pp 3-38.

[2]Não podemos haver sexualidade com todos os typos de corpos contrariamente a os propósitos de Cícero e de Montaigne. « Conjicito humorem collectum in corpora quoeque » Cicéron, Tusculanes cité in M. de Montaigne Essais III, Gallimard, 2009, p. 79.

[3] Sabbataïsme do nome de Sabbataï Tsevi 1666 um dos mais famosos dos falsos messias.

[4] Les « tendances de l’esprit et de quelle manière l’esprit les sert » S. Freud, Le mot d’esprit et son rapport à l’inconscient, Macintosh, Chicoutimi, 2002, p. 86-87.

[5] « Le comique a sa localisation psychique dans le préconscient » in S. Freud, Le mot d’esprit et son rapport à l’inconscient, (trad. Marie Bonaparte, Dr. M. Nathan) Paris, Gallimard, 1971, (cégep de Chicoutimi) p. 205.

[6] Claude Serre, Humour noir et hommes en blanc, Glenat, 1972.

[7] Claude Serre, L’automobile, Glenat, 1976.

[8]« Cette élévation, dis-je, l’adulte pourrait bien la tirer de la comparaison entre son moi actuel et son moi infantile. Cette opinion se trouve dans une certaine mesure, corroborée par le rôle dévolu à l’infantile dans le processus névrotique du refoulement. » S. Freud, Le mot d’esprit et son rapport à l’inconscient, p. 204.

[9] Les images mentales comme actes « épargnent l’énergie nécessitée par l’inhibition » S. Freud, Le mot d’esprit et son rapport à l’inconscient , p. 211.

[10]« Tous les hommes ne sont pas capables d’ailleurs d’adopter l’attitude humoristique ; c’est là un don rare et précieux, et à beaucoup manque jusqu’à la faculté de juoir du plaisir humoristique qu’on leur offre. Et finalement quand le surmoi s’efforce, par l’humour, à consoler le moi et à le préserver de la souffrance, il ne dément point par là son origine, sa dérivation de l’instance parentale. » S. Freud, le mot d’esprit et son rapport à l’inconscient, p. 211.

[11] Rumi, Odes místicos.

[12]« La condition de ces très anciens peuples était encore celle d’une humanité céleste, ce qui veut dire que, en contemplant tous les objets possibles dans le monde et à la surface de la Terre il les voyait certes, mais il pensait, par eux, les choses célestes et divines…  Henry Corbin, Face de Dieu face de l’homme, Flammarion, 1983, p. 48. Cité in Monique Oblin-Goalou, Le Rhizome sous l’arbre, Le virtuel au-delà des images lumineuses, Lille : ANRT, 2008, p. 93.

[13]Sohrabvardi é o iniciador da sabedoria das luzes, o autor do Kitâb Hikmat al-Ishrâq. Esta sabedoria nasceu da influência do sufismo, e da sabedoria d’Ibn Sina e do conhecimento da antiga sabedoria. O desejo da alma girada para um objetivo luminoso preserva das paixões carnais e da ira.

[14] Sexualidade infantil : O pazer de assumir, na criança, a identidade masculina ou feminina dela.

[15] S. Freud, Cinq leçons sur la psychanalyse, Ed. Payot, 1966, p. 53.

[16] A pessoa moral é representada por pelo menos uma pessoa física como um presidente para o estado. Porque é a pessoa física que permite ser comprometido. Então, o poder dos outros sócios é limitado.

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Published by Monique Oblin-Goalou - dans Articles en portugais
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